Publicado por: jmaurojr | 7 de Abril de 2011

Wellington Menezes de Oliveira – Julgar? Condenar?

Nessa quinta-feira dia 07/04/2011, em Realengo, no Rio de Janeiro, o jovem Wellington Menezes de Oliveira efetuou disparos de arma de fogo contra diversas crianças, matando, até o fechamento desse texto 12 crianças.

Nós, cristãos, não devemos ter o mesmo olhar que as pessoas comuns, que não estão com Deus nem crêem nele.

Coitado de quem?

Muitas pessoas, ao se deparar com uma tragédia dessa pensam nas crianças. Nas vítimas. Nada mais natural, mas Já dizia São Francisco no cântico das criaturas: “Louvado sejas, meu Senhor, /Por nossa irmã a Morte corporal,/ (…)Felizes os que ela achar/ Conformes à tua santíssima vontade, /Porque a morte segunda não lhes fará mal!”

Ou  seja, Jesus, em toda a sua contradição divina distorce toda a realidade do pecado, da lei de Talião. No Capítulo 5 do Evangelho de São Mateus lemos Jesus nos falando sobre as regras definidas pelo amor ao próximo e não pelo ódio.

A mensagem revolucionária de Jesus é a absoluta rejeição da Lei de Talião “Olho por olho, dente por dente”.  Essa subversão da lei porque ela corrompe as relações das pessoas entre si e com Deus. Essa mudança radical só poderá partir da força criadora do amor e será a única resposta que porá fim a toda violência.

“Eu porém vos digo: amai vossos inimigos; fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem”. Esta é a utopia evangélica que o Sermão da Montanha nos propõe: o amor a todos, incondicionalmente, assim como é o amor de “vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos”.

Mas isso tem limite né?

O amor não tem limites, como não tem limites a perfeição à qual o crente (aquele que crê) tem de aspirar: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito”.  Foi Jesus quem disse!!

Vida e morte.

Nós, os cristãos, cremos (e assim proclamamos no Credo) na vida eterna. Ora, “os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo”.  (CIC 1022)

Quanto alívio nessas palavras!! A situação daquelas crianças era justamente essa: Pessoas inocentes, totalmente purificados, e provavelmente já estão na presença do Cristo! As crianças assassinadas não são motivo de preocupação.

Esse não é o caso do Assassino. Jesus Cristo morreu por todos, inclusive pelo Wellington Menezes de Oliveira. Cristo sofre com o nosso pecado, e sofreu por ele também. Então, assim podemos dizer: “Coitado do Wellington”. Pois foi ele quem perdeu o que realmente importa: Deus.

Mas os suicidas vão para o Inferno?

Não podemos afirmar!  Nós não somos os donos das nossas vidas.  Atentar contra a própria vida é um pecado gravíssimo, mas não podemos afirmar que o suicida vá para o inferno.

“Distúrbios psíquicos graves, a angústia ou o medo grave da provação, do sofrimento ou da tortura podem diminuir a responsabilidade do suicida.

Não se deve desesperar da salvação das pessoas que se mataram. Deus pode, por caminhos que só Ele conhece, dar-lhes ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida”. CIC 2280-2283

Ódio e revolta.

Um grande perigo que corremos ao julgar ou nos deixar levar pelos sentimentos é odiar o assassino. “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si.” I João 3,15.

Como vimos mais acima, a busca da perfeição daquele que crê em Deus não deve ter limite. O mal, difundido nesse mundo pelo Diabo, inimigo de Deus, se espalha na forma de frases do tipo: “Ainda bem que ele morreu”, “Tinha que haver pena de morte no Brasil”, e outras do tipo.

Ira e ódio são pecados capitais, justamente por conta do prejuízo que eles trazem à nossa relação com Deus. Esse é justamente o plano do Diabo nessas situações. A Ira e o ódio das pessoas que nem estão diretamente envolvidas são o maior “lucro” do Diabo.

E o que devemos fazer?

Cabe somente a Deus julgar e a nós perdoar:

“Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados” São Lucas 6,37.

Que o Senhor no ajude a levar a Palavra de Deus a sério na nossa vida!!


Responses

  1. Ótima postagem, Mauro. É de fundamental importância tais orientações, visto que o mais comum quando ocorre uma tragédia, é o povo sentir ódio, ira, rancor, sentimentos que como você bem disse, nos afastam de Deus e não contribuem de nada. Oremos pela alma do assassino e para que Deus e Maria Santíssima consolem as famílias e os amigos que aqui ficaram…


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