Publicado por: jmaurojr | 17 de Abril de 2010

História da Igreja Católica 2 – O Messias

Para ler a primeira parte clique aqui

Nazaré era apenas uma pequena povoação, uma aldeia entre tantas outras da região da Galiléia. Quem passasse por ali veria um ajuntamento desordenado de casas em uma encosta rochosa, com uma fonte nas proximidades, cuja água havia atraído seus primeiros habitantes.

Nazaré não tinha boa fama. Ainda hoje existe um ditado na Palestina que diz: “A quem Deus quer castigar, com uma nazarena o faz casar”. E Natanael, ao saber que Jesus era de lá, perguntou a Filipe: “De Nazaré pode vir algo bom?”.

Neste lugar desprezado por todos vivia uma jovem, desposada por um carpinteiro chamado José. Embora provavelmente não chamasse a atenção, a não ser por sua profunda piedade, fé e pureza de coração, tinha sido ela a escolhida, a eleita de Deus para ser a Mãe do Messias. O salvador esperado por Israel e profetizado nas Escrituras, que libertaria o povo da opressão e implantaria um Reino maior que o de David.

Maria, a cheia de graça, soube por um anjo qual era a decisão de Deus… e disse sim.

Adotado por José, Jesus nasceu em Belém, na Judéia, talvez entre os anos 6 e 7 antes da nossa era (outros situam o seu nascimento entre 4 e 5 a.C. – há controvérsias; o monge sírio Dionísio, o Pequeno, no séc. VI, cometeu um erro na hora de fixar a divisão em a.C. e d.C., adiantando a data do nascimento de Jesus em alguns anos). Durante trinta anos viveu “escondido”. Ajudava o pai e a mãe, cuidava de tarefas domésticas, estudava a Torá, aprendia o ofício de carpinteiro, “crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e diante dos homens” (Lc 2,52).

Um dia, arrumou suas ferramentas, despediu-se de sua mãe, e partiu rumo ao rio Jordão, onde seu primo, João Batista, pregava e batizava.

Depois de ser batizado e de passar algum tempo no deserto, Jesus dá início ao seu ministério público. Escolhe doze apóstolos – os fundamentos de sua Igreja, entre os quais se destacam Pedro, Tiago e João. Atravessa a Palestina várias vezes realizando milagres e pregando o Reino de Deus. Boa parte dos seus ensinamentos são proferidos na Galiléia: a oração do Pai Nosso, as bem-aventuranças, o anúncio da paixão… Sua visão da Lei e seu modo de agir incomodam os responsáveis pela religião oficial que começam a tramar meios para eliminá-lo. O modo como se relaciona com Deus – seu Pai, e a afirmação velada de sua divindade, eram intoleráveis para os fariseus e os escribas.

No final do ano 29, Jesus desce lentamente para Jerusalém. Sabe que sua hora está próxima. A festa do domingo de Ramos é logo sucedida pela prisão, pelo processo diante de Pôncio Pilatos, procurador romano, e pela condenação à morte na cruz.

Provavelmente no dia 14 de Nisã do ano 30, ou 7 de abril no nosso calendário, uma sexta-feira, Jesus de Nazaré morre crucificado juntamente com dois ladrões. No madeiro, uma placa com a inscrição: Jesus de Nazaré, rei dos Judeus, escrita em hebraico, grego e latim. Ao pé da cruz, estavam um grupo de mulheres, incluindo sua mãe, e um discípulo. Depois do suplício, o corpo de Jesus é colocado por alguns seguidores em um sepulcro ali perto. Tudo parecia terminado.

É fácil aceitar que Jesus morreu. Mas sua ressurreição é algo que escandaliza, que parece ferir o bom senso e a razão. No entanto, é exatamente isto que os apóstolos testemunharam três dias depois do “desastre” em Jerusalém. Jesus ressuscitou, ele vive! A ressurreição é o fulcro, a base de toda a fé cristã: “…se Cristo não ressuscitou, ilusória é a vossa fé…” (1Cor 15,17).

Jesus apareceu várias vezes aos apóstolos. Deixou-lhes instruções, preparou-os mais um pouco para o que viria a seguir. Quarenta dias depois da Páscoa, “subiu aos Céus”, não sem antes prometer outro Paráclito para conduzir a sua Igreja.

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Responses

  1. Quando nos lembramos ou falamos sobre a encarnação do Verbo, é uma mulher que nos vem à memória: – Maria Santíssima. E muitas vezes nos esquecemos de outra personagem bíblica, não menos importante: – José.
    O esposo da Virgem de Nazaré foi importantíssimo na história da salvação, que não terminou com a cricifixão de Jesus, mas continua até hoje e continuará até o último dia. Com José, Jesus aprendeu a profissão de carpinteiro, e mais que isso, posto que a educação dos filhos varões era responsabilidade do pai. E José acolheu a Jesus como seu filho mesmo. As pinturas, principalmenta da renascença, nos mostram José como um ancião; devemos lembrar-nos que os homens judeus da época casavam-se por volta dos trinta anos, e josé era judeu, da casa de Davi. Muitos foram e são ainda hoje os que afirmam ter sido José um homem já avançado em idade, outros ainda que era viúvo. Ora! Será que Deus ia dar a Seu filho um pai já comprometido com outra familia? Um ancião? Pelo contrario! José estava na plenitude de seu vigor físico quando casou-se com Maria. Fosse assim, não encontraria forças para sair em fuga para o Egito, a pé. Com Maria e o Menino-Deus. Como todo bom judeu daquele tempo, era religioso, instruído na Palavra. E o Senhor Deus necessitava um pai assim para Seu filho, que veio ao mundo na condição humana, e como tal precisou Ele também, saber a História de seu povo, pois Sua divindade manifesta-se em Jerusalém, aos doze anos ou perto de completar treze, idade em que os meninos já podiam, segundo a cultura hebréia, discutir a Torah com adultos, e mesmo assim, muito discretamente, no templo. “Só mais tarde, nas Bodas de Canã é que se manifesta total e completamente sua divindade”.
    Era necesário que houvesse alguém que Lhe ensinasse, e esse foi José, Seu pai nutrício que o recebeu como verdadeiro filho, ainda no ventre de Maria.
    Logicamente que a Virgem tem mais importância, pois acompanhou seu Filho até o Gólgota, esteve sempre presente, perto Dele. De José, não sabemos mais nada depois dos doze anos de Jesus, e o que porventura nos vêm, são especulações e as fontes quase ou nunca são fidedignas.
    Mas José é hoje o patrono de todas as familias, dos homens, e para sempre estará, junto à Virgem Maria, aos santos e anjos a interceder por nós, que um dia também estaremos reunidos a formar a Sagrada Familia, sonho do Criador.


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