Publicado por: jmaurojr | 10 de Abril de 2010

História da Igreja Católica 1 – O terreno onde a semente foi plantada

A Igreja, que é “a coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15), guarda fielmente a fé uma vez por todas confiada aos santos (Cf. Jd 1,3). É ela que conserva a memória das Palavras de Cristo, é ela que transmite de geração em geração a confissão de fé dos apóstolos. Como uma mãe que ensina seus filhos a falar e, com isso, a compreender e a comunicar, a Igreja, nossa Mãe, nos ensina a linguagem da fé para introduzir-nos na compreensão e na vida da fé. (Catecismo da Igreja Católica)

Todos os sábados você poderá conhecer um pouco mais da nossa Santa Igreja em textos sobre a história da Igreja. Todos os textos foram disponibilizados no site www.bibliacatolica.com.br.

Há quase dois mil anos, o mundo mediterrâneo era controlado por Roma. O Grande Império se estendia da Síria até Portugal, das Ilhas Britânicas até o Egito. Fundado pelo gênio de Otávio Augusto, que soube concentrar em suas mãos o poder sem destruir as aparências da República, o Império vivia, no início da nossa era, um período de paz e prosperidade (Pax Romana).

O helenismo, a influência dos costumes e do pensamento gregos sobre o mundo mediterrâneo, estimulava o gosto pelas coisas espirituais (estoicismo, platonismo). Uma grande efervescência religiosa atingia todas as camadas da sociedade. O panteão romano, retocado pelo Olimpo grego, conservava seu prestígio e contava com inúmeros fiéis devotos. Mas existiam outras correntes se desenvolvendo. Pregadores anunciavam seus deuses em cada canto do Império. Vindos do Egito, através de Alexandria, chegavam os mistérios de Ísis e de Serápis. Os fenícios adoravam seus baalins. Em Roma, havia o culto sensual da deusa Cibele, mãe de Pessinonte. O orfismo afirmava a existência de mediadores entre Deus e os homens – para os pitagóricos, um Logos. As almas mais inquietas e sedentas de eternidade se voltavam para Mitra, o deus-sol dos arianos, cujo culto se fortalecia com a astrolatria caldéia. Uma enorme diversidade de sincretismos e superstições pululava por toda a parte.

Trazido do Oriente, desenvolvido pelos sucessores de Alexandre Magno, o culto ao soberano se implantou no Império. Quando morria um imperador, logo surgia um culto oficial à sua divindade. Nas províncias orientais, o imperador era adorado ainda em vida.

No meio dessa babel de crenças, um povo fazia questão de manter-se fiel a um só Deus, fugindo de toda contaminação pagã. Na Diáspora ou na Palestina, o pequeno povo de Israel jamais havia esquecido a fé dos antepassados, Abraão, Isaac e Jacó, e de como Yahweh os tinha libertado da escravidão no Egito. Tinha consciência do seu status superior, de ser uma raça escolhida e predestinada por Deus, herdeira das promessas divinas.

Entre Yahweh e o seu povo havia um laço, a Torá, a Lei que Moisés recebera no monte Sinai e que tinha de ser observada zelosamente. A Lei era uma coletânea de preceitos éticos e religiosos fixados em um conjunto de cinco livros sagrados, o Pentateuco. Ao lado do Pentateuco existiam outros livros, de cunho histórico, profético, poético, salmos… A sua coleção formava as Escrituras Sagradas do judaísmo.

Na época de Jesus ainda não havia um cânone fixo das Escrituras. Só depois, no final do século III, surgirá uma definição mais rigorosa. Ao lado dos livros, havia entre os judeus uma tradição oral, transmitida de pai para filho. O sinédrio, tendo a frente o sumo sacerdote, e os escribas, era o responsável pela guarda da Lei. Jerusalém, a cidade sagrada, e seu templo, eram o centro da religiosidade dos judeus.

Fora da Palestina, o judaísmo alexandrino começava a assimilar elementos do platonismo e do estoicismo. Fílon de Alexandria (13 a.C. a 54 d.C.) construiu um sofisticado sistema teológico e filosófico que integrava as Escrituras com certas correntes do pensamento grego. Tal movimento influenciava profundamente as comunidades judias da Diáspora e preparava o caminho para o desenvolvimento da teologia cristã.

Na Terra Santa, qualquer tentativa de assimilação com o helenismo era fortemente repelida. Antíoco Epífanes teve a ousadia de colocar um Júpiter olímpico no templo de Jerusalém e por isto enfrentou a ira dos Macabeus. Uma verdadeira guerra santa. Mesmo quando Roma reduziu Israel à condição de simples vassalo, o povo de Deus se apegou mais ainda à fé de seus pais e se uniu aos fariseus, sucessores dos piedosos (hasidim) da época dos Macabeus.

Os fariseus tinham uma espiritualidade centrada na meditação e no cumprimento da Torá. Para eles o pai judeu que ensinasse grego ao seu filho era maldito. Impunham uma rígida observância do Sábado. Cuidavam para que os menores mandamentos fossem sempre respeitados. Acreditavam na imortalidade da alma, na ressurreição, na existência de anjos, contrariando os ensinamentos dos saduceus, os quais só reconheciam o Pentateuco.

Os zelotas, rebeldes que combatiam a dominação romana pela luta armada, encarnavam o nacionalismo judeu em sua forma mais fanática e intransigente. Os essênios, segundo Flávio Josefo, se estabeleciam em várias cidades e eram numerosos. A comunidade essênia de Qumrã se diferenciava por seu estilo de vida cenobítico. Os Manuscritos do Mar Morto, encontrados recentemente, nos deram mais informações sobre este grupo em particular.

“Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob a Lei…” (Gl 4,4).

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Responses

  1. Nestes quase dois mil anos de história, a verdadeira Igreja de Cristo passou por períodos de grandes perseguições e também gozou de muitos períodos de paz. Seu fundador, o próprio Cristo nosso Senhor, não disse que seria diferente e que seus servidores viveriam em perfeita paz e harmonia. Mas mesmo assim, era grande o número de fiéis que ficaram, depois da morte do Deus-Filho, a esperar, com invocações e súplicas e a consolação de Maria, a qual todos chamavam mãe, até Pedro, mais velho que ela, a vinda do Paráclito, o Espirito Santo e santificador de nossas almas. Até o dia de Sua vinda.
    O Espírito Santo manifestou-se como que com labaredas. Ele é fogo. Fogo santificador e purificador, fogo que arde sem queimar.
    O Espírito Santo manifestou-se como vento. Vento que sopra aonde quer, como quer e em quem quer. Ninguém sabe de onde vem nem para onde vai, mas ouve o ruído impetuoso de Seu chamado.
    O Espírito Santo manifestou-se fazendo tremer a casa onde se encontravam os discípulos, apóstolos e outras gentes, todos ao redor do manto protetor de Nossa Mãe comum, Maria Santíssima.
    Depois de quase vinte séculos, aqueles que desejam ardentemente o Espírito de Deus, o recebem, e podem sentir até hoje, o frescor da brisa, o calor do fogo do qual se abrasam nossos corações, e o tremor com o qual somos tomados, e tremendo com a estupenda força vinda do alto, aprendemos o temor de Deus, que se transforma em amor de quase doer o peito, em adoração total e absoluta ao único Deus,que, em sua infinita bondade e misericórdia, não quis ser apenas um, mas tres. Tornou-se Filho e o Filho nos transmitiu o Espírito, e os Dois já estavam no seio de Deus antes mesmo que o mundo fosse criado. Divino e delicioso mistério, este da Santíssima Trindade, no qual só nos basta crer,sem necessidade de entender. Entender era coisa de grego, que com sua filosofia que só levava à acaloradas discussões nas praças de Atenas, nunca chegava a um consenso. A filosofia grega possui um valor imenso, e isso é fato. Mas exatamente a causa dela, Paulo, o apóstolo das gentes, precsou sair de Atenas como fugitivo. O paganismo romano não tinha nem mesmo fé em si próprio,tivesse, os césares não tinham por quê temer a nova “seita” que aos poucos espalhava-se e convertia multidões. Como e frágil o poder que não vem de Deus! Por medo, os tantos césares que sucediam-se desencadearam uma sangrenta perseguição aos sequazes e adeptos do cristianismo, foram muitos os assassinados nos circos romanos, que preferiam morrer a negar sua fé em Jesus Cristo. Paulo foi decapitado, Pedro, crucificado, de cabeça para baixo, por não ver-se digno de morrer como seu Mestre.
    E assim, a Igreja de Cristo formou-se, cresceu e estabeleceu-se em Roma, a cidade eterna. Para ser a única portadora das verdades comunicadas por Deus mesmo. E Seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo prometeu, solenemente e com a autoridade de quem saiu do seio do Eterno, que as portas do inferno não prevaleceriam contra Ela, e com Ela estaria até a consumação dos séculos. E não há motivo para não crer nisso, pois quem no-lo disse é aquele cujo reino não é deste mundo.
    Hoje, o legítimo sussesor de Pedro, está à frente do rebanho a ele confiado. E enfrenta graves problemas junto à imprensa falada e escrita, que aproveita os verdadeiros milagres da tecnologia moderna e permite que satanás use não lupas, como já foi dito aqui, nem microscópios poderosos, a ele, mestre e inventor da mentira,é oferecido telescópio, para aumentar em milhões de vezes, e fazer uma verdade, que pelo número de habitantes do planeta, é até pequena, transformar-se numa grande e asquerosa mentira. Mas não há motivo para medo, pois o Espírito Santo, a seu tempo, fará prevalecer a luz que um dia brilhou em Belém e porque não foi aceita por aqueles os quais veio iluminar, tornou-se luz para todas as nações. Sejamos nós também iluminados por essa luz.


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