Publicado por: jmaurojr | 30 de Março de 2010

Totalmente católicos

Passando pelo blog do Pe. Joãozinho, li este artigo, que trata das diversas formas de ver os católicos, bem interessante:

TOTALMENTE CATÓLICOS

Desculpe o pleonasmo do título. A palavra “católico”, em sua origem grega, já significa “totalidade”. Cumprimos o mandato de Jesus Cristo antes de sua volta para a casa do Pai: “Anunciar o Cristo TODO para TODOS” (Mateus, 28). Mas resolvi insistir nesta verdade por dois motivos. Primeiro porque católicos “meia-boca” costumam viver a sua fé pela metade. No Brasil eles se reconhecem como “não-praticantes”. Estes costumam ser os alvos preferidos da pregação de algumas igrejas evangélicas que pretendem encher seus templos. Bem dizia o saudoso bispo de Aparecida, Dom Aloísio Lorscheider, perguntado em uma entrevista por que a Igreja Católica perde seus fiéis. Sabiamente ele respondeu: – “Engano seu. Os fiéis continuam conosco. Estamos perdendo os infiéis”.

Mas existe outro motivo para optar pelo título “totalmente católicos”. Percebo um movimento muito forte de recuperação da auto-estima dos católicos. É claro que existem os cínicos que torcerão o nariz ao ler o que estou escrevendo. Mas estes estão se tornando infiéis aos poucos e ainda por cima dizem que continuam os mesmos… a igreja é quem mudou. Balela. O Espírito está soprando em nossos irreverentes jovens. É claro que existe muita mensagem difícil de engolir nos novos sermões e canções. Há muito lugar comum e muito padre imitando pastor para recuperar migalhas do rebanho fujão. Não é disso que estou falando. O que percebo é que o Espírito Santo não parou de soprar na Igreja Católica. Ao contrário… há muita coisa bonita acontecendo escondida e infelizmente isso não é devidamente noticiado por nossas emissoras de TV que se dizem católicas.

Existem católicos sendo totalmente “evangélicos”… e um pouco mais. Somos do Evangelho. Não podemos dizer que não. Há um movimento bíblico acontecendo desde os antigos círculos bíblicos até as mais discretas comunidades eclesiais de base (CEB’s). Junto a isso existem católicos com suas Bíblias marcadas e surradas lendo e relendo… e mais que isso, estudando e vivendo a Palavra de Deus.

Tenho encontrado católicos totalmente “batistas”… e um pouco mais. Eles conseguem redimensionar a vivência do batismo recuperando o catecumenato sem criar um movimento fechado em si mesmo. Seu povo é fiel e estuda muito. Fazem muitos cursos sobre a doutrina cristã e tem seu Catecismo da Igreja Católica marcado e surrado. Sabem dar as razões da sua esperança.

Vejo por onde ando que existem católicos que se reconhecem como “assembleia de Deus”. Sabem que foram convidados, ou melhor, convocados para esta festa. Sabem que não são um povo qualquer. São povo de Deus. Formam comunidade. Conhecem bem seu pároco e o amam como pastor. É gente que participa de pastorais e vai à missa de domingo. Quando entram na igreja se sentem em casa… chamam quem está do lado de “irmão”.

Conheço muito bem os católicos “pentecostais”. Estão na Renovação Carismática e em muitos outros lugares. Muitos vivem esta espiritualidade intimamente. Rezam em línguas estranhas quando lhes falta a palavra conceitual. Não faz mal. Deus entende… e os bons teólogos (como Santo Agostinho) também! Vivem uma dinâmica carismática ao sabor do vento e tentam manter os pés no chão. Os que conseguem se tornam santos e acabam preferindo a oração de contemplação.

Já vi católicos “protestantes”. São profetas que anunciam a justiça social e denunciam toda forma de injustiça. Continuam lendo os livros da Teologia da Libertação, mas reescrevem esta carta em comunhão de Igreja, como convém aos que estão vivos e sabem se reinventar todos os dias. Muitos destes vivem a bela opção solidária e evangélica pelos pobres.

Finalmente existem os católicos da “congregação cristã”. Sou um deles. Congrego na Igreja Católica Apostólica Romana. Dentro dela faço parte de uma grande família: a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Sou congregado sim. Mas existem também os congregados marianos e outros mais. Somos todos deste Sacramento Universal de Comunhão… que é a Igreja Católica… que, aliás, significa Universal! Somos evangélicos, batistas, assembléia de Deus, pentecostais, protestantes, congregação cristã e universal. Somos Católicos do Reino de Deus… e um pouco mais, afinal, temos o Cristo todo para anunciar a todos. Somos discípulos-missionários. Ser católico é ser quase tudo o que os outros cristão são… e um pouco mais!

Disponível originalmente em: Blog do Pe. Joãozinho, Sou feliz por ser católico.


Responses

  1. Concordo plenamente com o texto acima. E como sou católico carismático, limito-me a comentar sobre a renovação católica carismática ou pentecostal. Hoje, parece que a renovação carismática segue por outros caminhos, muito diferentes daqueles que trilhava ao iniciar-se.
    Falo dos carismáticos de hoje, tão diferentes dos de 25 anos atrás, para não ir muito longe. Buscava-se então uma efetiva mudança de comportamento frente aos desafios que o mundo, cada vez mais voltado a um materialismo exarcebado-pagão, tentava inculcar nas mentes das gentes, católicas ou não. Caminhava-se com os pés no chão e os olhos voltados ao céu, à espera não de milagres, mas de um verdadeiro derramamento do Espírito Santo, e acontecia esse derramamento, e junto a ele, vinham também milagres que a ciência não explica, e por isto mesmo, milagres.
    Hoje, infelizmente, o que se vê, é o fato de milhares de jovens e também muitos adultos, com até mesmo mais de vinte anos de caminho, – “se de caminhada com Jesus, não sei” – em busca das “coisas do alto”. Quase sempre, quando se lhes pergunta o que são exatamente essas coisas do alto, não sabem a resposta. Não precisam, pois o – “Espírito lhes diz exatamente o que fazer, o que dizer, como agir etc… – ”
    A maioria não leu e aprendeu o catecismo da Igreja Católica nem conhece uma Encíclica sequer. A continuar assim, logo começarão a surgir qui e ali, “casas para recuperação de narizes quebrados”, tamanha é a multidão que, flutuando de tanta santidade, está a buscar as coisas do alto. Sim, porque quando não se olha aonde se pisa corre-se o risco de se tropeçar, ir ao chão e quebrar o nariz. É necessário e urgente buscar o divino, mas tendo-se em conta que estamos ainda na terra, e uma vez na terra, faríamos melhor se nossas mãos estivessem postas no arado sulcando a terra para nela semear a boa semente, inclusive a semente da sensatez. E com os pés fincados à terra, olhar então para o céu, a fim de aprender, com a ajuda do magistério da Santa Mãe Igreja, as coisas que de lá nos vêm. Para que não suceda que, somente olhando para o alto tropecemos em pedras ou pisemos serpentes, e desiludidos, busquemos os falsos ensinamentos das tantas falsas doutrinas que a renovação carismática tanto se empenhava em combater através dos ensinamentos da verdadeira igreja de Cristo.

  2. Paz e bem
    Muito interessante o q vc escreveu, pois em uma simplicidade toda nos mostrou q existe um só Deus, e todos estão buscando , cada um de sua forma, isso é a glória de Deus..
    Senhor meu Deus , ti peço por aquelas pessoas q ainda nao entenderam que religião nao é tudo, que Deus é tudo, peço-te sabedoria para estas pessoas, discernimento quando ler este relato de nosso amigo,
    Deus seja louvado por todos os protestantes, evangélicos, universais, batistas, duvidosos, ateus e católicos do mundo todo!!!

    • Edvania,

      Este texto não é de minha autoria, mas o Pe. Joãozinho, como citei no artigo.

      Nós católicos podemos dizer que a religião é tudo sim, pois no nosso caso, a religião e Deus são a mesma coisa. A religião católica é a busca de Deus, e não devemos separar religião, Igreja e Deus. Pois tudo é uma só coisa.

      Na verdade o que o Padre Joãozinho quis demonstrar é que o catolicismo envolve uma multidão de aspectos que outros cristãos veem de modo restrito. Assim os católicos são evangélicos (pois seguimos o evangelho), batistas (pois pregamos o batismo e somos batizados), universais (pois a palavra católico quer dizer total, universal), e isso tudo.

      Mas mesmo assim, a Igreja nos manda respeitar e amar a todos, sempre buscando a verdade mas sem esquecer da caridade!

      Um abraço e obrigado pelo comentário!!


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