Publicado por: amaldanerlc | 25 de Março de 2010

O amor tem preço

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Famosas são as características que São Paulo atribuia à caridade (Cf. I Cor 13, 4-8). Comentarei uma só: “não procura o seu próprio interesse”.

Um sacerdote ia começar a missa de casamento. No ingresso, encontra o noivo e lhe pergunta em voz alta de forma que todos em volta o escutassem: “Por que você quer se casar?” O jovem todo encabulado responde: “Porque quero ser feliz!” Então o padre diz: “Mas então não se case”. O pessoal começa a se mexer nas bancas, muitos olharam para trás. O padre continuou: “Você tem que se casar, não para ser feliz, mas para fazer feliz a companheira da sua vida”.

A origem da palavra “caridade” é anterior ao cristianismo. Era de uso corrente no latim clássico. Deriva do adjetivo latino “carus” e pode significar duas coisas: caro ou custoso, ou seja, aquilo pelo qual estou disposto a pagar um alto preço, mas também significa afetuoso ou querido. Caritas é o substantivo de carus, portanto, se carus significa “querido”, caritatis seria “queridade”. Em português além de caridade, existe o adjetivo caro: meu caro amigo; neste sentido, famosa é frase do Sherlock: “Elementar meu caro Watson”.

O uso da palavra é múltiplo. Vemos que Cícero a usou com relação a uma ação quando disse: “Aquilo que se faz de forma grande é amado, querido”. Por outro lado, foi empregada também na relação interpessoal. Outro escritor romano, Plauto, diz: “Sei quanto é caro ao meu coração”. E ainda Cícero: “Caros são os pais, caros os filhos, caros os achegados, os familiares, mas os amores de todos estão contidos no único amor à pátria”. Cícero aqui revela o grande amor dos romanos pela sua pátria.

A caridade é sinônimo de amor, do qual deriva a palavra amizade. O cristianismo sempre apontou o dom da amizade entre as pessoas como a experiência que melhor pode iluminar o sentido do amor divino. Jesus, aos seus seguidores mais íntimos disse: “Vós sois meus amigos” (Jo 15, 13).

Amar a Deus é Lhe desejar um bem, como a um amigo ao que estamos unidos. Amigo verdadeiro é quem, te conhecendo por dentro e por fora, completamente, e mesmo assim, continua querendo ser teu amigo. Assim é como Deus nos ama, é quem melhor conhece as nossas misérias e deficiências e, ainda assim, continua a nos amar.

Diz o Eclesiástico: “Um amigo fiel é um poderoso refúgio; quem o descobriu, encontrou um tesouro. Um amigo fiel não tem preço, é imponderável o seu valor” (6, 14). Cristo é o nosso melhor amigo, porque deu a sua vida por nós: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15, 13).  Sendo assim, que nos amemos uns aos outros como Cristo nos amou!

“Onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Lc 12, 33). O coração está feito para amar e se afeiçoar a alguma coisa. Façamos que se apegue em algo que realmente vale a pena; não numa coisa material, mas em algo espiritual, que o possa satisfazer.

Só Deus é “a fonte de água que jorra para a vida eterna” (Jo 4, 14).


Responses

  1. É quase impossível falar em caridade sem que nos venha à memória a figura de uma mulher. Raquítica, muito magra e sem a beleza que estamos acostumados a admirar nas pessoas famosas do planeta; quando velha, parecia mesmo que as rugas disputavam um lugar em seu rosto. Mas tornou-se uma das mulheres mais belas do mundo, quando este, meio que incrédulo, viu, naquela mulher franzina porém repleta da fortaleza do Espírito Santo, uma beleza que jamais acaba:- a Caridade traduzida no imenso amor aos pobrezinhos, não só da India, mas de todo o mundo. Falamos de Teresa de Calcutá. É fantástica a trajetória dessa mulher, que, um dia resolveu deixar o conforto da casa paterna para ir trabalhar nos campos do Senhor. Certa feita, em Calcutá, numa das casas que mantinha, junto a outras irmãs, foi atacada por um jovem que, encostando um punhal em seu estômago, lhe disse:- vou matar-lhe pois não sirvo nem creio no seu Deus. Teresa olhou para o rapaz com um amor tremendo e disse-lhe:- você pode até mesmo matar-me, mas matará apenas um corpo, não conseguirá jamais matar o amor e a caridade, posto que andam juntos e são imortais.
    O rapaz, atônito com as palavras de Teresa, que só deixavam transparecer o carinho com que Deus nos trata, ajoelhou-se e disse:-senhora, ensina-me sobre seu Deus, quero servi-lo.
    Passou-se o tempo,e madre Teresa de Calcutá, estava em Adis-Abeba, para abrir uma casa para as gentes que morriam de fome. Fundada a casa, Teresa viajou para Nova Iorque, onde pretendia visitar algumas obras que surgiam para os doentes de aids. Quando chegou à cidade, estourou a noticia: Tudo havia mudado na Etiópia, havia uma revolução, o imperador Hailé Selassié fora preso, e o novo chefe de estado era o coronel Menghistu. Madre Teresa não pensou duas vezes, disse à irmã que a acompanhava:-providencie as passagens, vamos voltar à Etiópia. Voltaram e a noticia de sua chegada espalhou-se, Teresa teve uma calorosa acolhida, e mal a viu, o coronel foi ao seu encontro. Cerimonioso, perguntou:- que posso fazer pela senhora? A resposta de madre Teresa assustou o coronel:-queria ver o imperador Hailé Selassié. _Como madre?? A senhora me ofende! Como ousa pedir para ver aquele homem? Madre Teresa respondeu sem medo:- “Senhor presidente, ontem o imperador era um homem rico, hoje é pobre; ontem o senhor era pobre, hoje é rico. Quero ver o pobre Selassié”. O coronel não teve coragem de negar.
    Levaram-na até a cela do imperador deposto. Logo que a viu ele começou a chorar e disse:- Madre, vê o que aconteceu? Tudo mudou em poucas horas! Teresa abraçou-o e disse:-Imperador, os tronos deste mundo são todos corroídos, hoje cai um, amanhã cairá outro.Não tenha medo. Agarre-se ao Senhor, creia Nele, é a única rocha em que podemos nos apoiar.
    A caridade! Quantos tronos existem hoje, todos corroídos pela falta de amor! Apoiemo-nos no Senhor e peçamos a Maria a sua intercessão, peçamos também aos santos e santas que tiveram a força de dizer seu sim à Caridade Suprema.


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