Publicado por: geovankubalc | 23 de Março de 2010

O sentido do sacrifício quaresmal

Sacrificar-me! Para quê?

Pergunta típica nos dias de hoje, no entanto, quem de nós pode dar uma resposta satisfatória? Tradições, vivemos de tradições.

Quantas vezes pensamos: sacrificar-me na quaresma, não comer carne nas sextas-feiras e durante a semana santa… Bah! Isso é coisa do passado!

Ainda vivo de tradições? Vivo empurrado pelos costumes familiares que temos? Dessa maneira seria melhor nem vivê-las.

Jesus, no evangelho nos disse: “eu quero misericórdia e não sacrifício”. (Mt 9, 13) Isso quer dizer que os sacrifícios corporais que fazemos na quaresma são em vão? Não, ao contrário, bem diz o Catecismo da Igreja Católica no número 2100 que o “sacrifício exterior deve ser uma expressão do meu sacrifício espiritual”.

A quaresma é um período litúrgico que nos convida a um arrependimento interior dos nossos pecados e, ao mesmo tempo, nos convida a perdoar as ofensas do próximo. Que doloroso seria para Jesus se chegássemos à Semana Santa sem ter preparado o nosso interior para contemplar a Cristo, que morre na Cruz para perdoar nossos pecados!

Não devemos viver certos costumes piedosos da nossa fé só porque são tradições Católicas ou porque assim aprendemos dos nossos pais. Tudo isso não vale nada se não os vivermos com amor. Os sacrifícios, o jejum, são meios que nos levam a expressar exteriormente o nosso amor a Deus. São atos concretos de arrependimento pelos nossos pecados. Devem ser mostras exteriores de nossa conversão interior como nos diz o Catecismo da Igreja Católica: “a conversão interior conduz a expressar essa atitude por sinais visíveis, gestos e obras de penitência”. (CIC – 1430)

Mas não somente por isso deve ser um meio para me gabar diante dos outros mostrando que estou fazendo estes atos de penitência. Que isso fique entre nós e Deus, assim receberemos a recompensa de Cristo e não dos homens.

Sacrificar-me! Para quê? Já sabemos a resposta: Para demonstrar nosso arrependimento e nosso Amor a Cristo.

Vença o mal com o bem!


Responses

  1. Vocações para missão

    Todos os anos, no 4º Domingo do Tempo Pascal, Domingo do Bom Pastor, a Igreja nos pede para fazermos um dia mundial de oração pelas vocações sacerdotais e religiosas.
    Gostaria de incluir aqui as vocações específicas para a vida missionária, seja sacerdotal, religiosa ou leiga.
    Assim como passou pela vida de Pedro, Tiago, André, João e muitos outros, também hoje Jesus continua passando pela vida de milhares de rapazes e moças e repetindo seu “doce e suave convite: Vem e Segue-me”. Também nos dias de hoje a vocação missionária continua sendo atual e necessária.
    Porém, embora “Deus capacite os escolhidos”, como frequentemente ouvimos dizer, também continua verdade aquele aximoa moral que diz que “a graça supõe a natureza”, isto é, Deus, para agir, precisa encontrar uma pré disponibilidade por parte do ser humano, pois Ele não costuma fazer por nós o que somos capazes de fazer (diz uma música da Infância Missionária que “Deus não quer preguiçoso em sua obra”.
    Desta forma, quando Deus chama alguém vai pedir-lhe também alguns requisitos, como boa saúde física e psicológica, capacidade intelectual (pelo menos para aprender novas línguas!), bom senso, boa educação (enfim, valores humanos básicos) e também boa preparação espiritual, gosto pelas coisas de Deus, conhecimento pelo menos básico da doutrina católica (afinal, vai falar e agir em nome da Igreja) e capacidade de viver em comunidade. Pelo que se vê, não bastam apenas boas intenções, mas são exigidas daquele que se dispõe a atender ao chamado que se prepare adequadamente, munindo-se de qualidades que serão essenciais no exercício da missão que o Senhor lhe confiar. De nada adiantaria, por exemplo, eu me oferecer para ir para África se num posso tomar sol ou tenho dificuldades para me locomover (a pé, a cavalo, sentado longas horas em um veículo que trafega por estradas ruins) ou ir para a Amazônia se tenho medo de andar de barco. Ao invés de ir trabalhar pelas missões, eu iria dar trabalho! Da mesma forma, que eu iria fazer em outro país se num tenho nenhuma capacidade de aprender a língua local? Iria depender para sempre de um intérprete? E por ai vai. O mesmo se diga de uma formação bíblico-catequética-teológica básica (se puder, mais que básica), pois senão ficaria de achismos e não saberia responder “áqueles que perguntarem acerca da esperança que nos anima” (1Pd 3,15).
    Por isso, neste dia mundial de orações pelas vocações peçamos a Deus que chame muitos de nossos jovens para o serviço missionário e que os chamados se disponham a colaborar com a graça de Deus neles, a fim de poderem exercer com eficácia o ministério que Deus lhes confiar através da Igreja.

  2. Há um cântico litúrgico que diz:- eis o tempo de conversão, eis o dia da salvação, ao Pai voltemos…
    Tempo de conversão é todo dia, mas a quaresma nos chama e convida a viver esse tempo com mais intensidade, com mais expectativa, para, chegado o dia da mais importante celebração festiva da Igreja, celebrarmos com alegria, tão intensa quanto foram as orações.
    A festa da Páscoa começou a ser preparada com tres dias de intensa oração, reflexão e jejum, lá pela metade do século III, depois, por volta de 350 d.C., a Igreja aumentou o tempo para 40 dias. Afinal os números possuem uma simbologia relevante junto ao povo hebreu, de quem herdamos muitos ritos. A Bíblia é repleta da simbologia dos números; Moisés, maior profeta do Velho Testamento, demorou 40 anos em casa de faraó, mais 40 anos para só então ter o seu encontro, aliás, belíssimo, com Javé; é encantador o capítulo que descreve esse encontro, com cores tão vibrantes, Passou 40 anos no deserto, a conduzir o povo da eleição até a terra onde jorrava leite e mel. Daí, não é difícil compreeder o porque dos 40 dias da quaresma.
    Em nossa comunidade, tão católica, vemos pessosas, e em bom número, ostentado semblantes carregados de tristeza. Ao perguntar o por quê, a resposta é quase sempre igual, senão a mesma:- ora!!
    é tempo de fazer jejum e penitência!!
    Esas gentes se esquecem de que a quaresma é tempo de recolhimento espiritual e não recolhimento físico, para que todos saibam que estão a jejuar, e mais, con penitência. Farisaica essa penitência não? Ora, quaresma é tempo de oração, de graça, de espera expectante, de conversão verdadeira e não apenas aparente. Se não renunciarmos ao pecado para se chegar à vida eterna com Cristo, por Cristo e em Cristo, não teremos vivido a quaresma em sua plenitude, no máximo teremos emagrecido alguns quilos, coisa boa para o corpo.
    São Paulo dizia com insistência:- em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus.
    Exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois Ele, Deus, diz:- Eu te ouvi no dia favorável, e tive compaixão de ti no dia da salvação.
    Hoje, agora, já, neste instante é o tempo favorável, é o tempo de salvação.


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