Publicado por: jmaurojr | 18 de Fevereiro de 2010

Justiça: é possível encontrá-la hoje.

gkuba@legionaries.org

Mensagem do Papa sobre a Quaresma

A Mensagem do Papa para a quaresma deste ano nos fala sobre um tema difícil de encontrar num mundo como o de hoje. A justiça.

Podemos encontrar uma sociedade, uma pessoa que viva a justiça hoje? A mensagem do Papa para esta quaresma procura enfatizar esta pergunta e colocar em evidência que a justiça praticada pela fé em Deus e a solidariedade pelas outras pessoas é o caminho mais seguro que tem aquele que quer viver uma vida mais justa.

Partindo da afirmação Paulina, o Santo Padre nos propõe: A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cfr Rom 3,21 – 22 ).

O Papa se detém em primeiro lugar sobre o significado da palavra justiça que na linguagem comum implica “dar a cada um o que é seu”. Porém, aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido pela lei humana. O Santo Padre nos explica que a justiça humana não consegue restituir ao ser humano tudo o que é seu. O homem, mais do que o pão necessita de Deus. Muitas vezes a justiça humana em vez de ajudar-nos a chegar até Deus nos afasta mais Dele. Numa de suas frases Bento XVI nos diz que: “Poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado á sua imagem e semelhança. São certamente úteis e necessários os bens materiais”, pois, como ele mesmo nos faz menção, também Jesus os necessitou.

Comenta o Evangelho de São Marcos, o qual fala que não é o que vem de fora do homem que o faz impuro, senão o que vem do seu coração. (cfr. Mc 7,14-15.20-21) O Papa nos diz que “de igual maneira a injustiça, fruto do mal, não tem raízes exclusivamente externas; tem origem no coração do homem.” Ao entrar em contato com uma força de gravidade estranha que o leva a pensar somente em si mesmo, a pensar ser superior aos outros, o homem passa a viver uma vida egocêntrica, consequência do pecado original. Com a sedução de satanás, a pessoa está em perigo de cair nas garras da ansiedade, do querer fazer tudo sozinho e não confiar no outro, experimentando como resultado uma sensação de inquietação e de incerteza.

A estas reflexões o Papa se pergunta: “Como pode o homem libertar-se deste impulso egoísta e abrir-se ao amor?”

A nossa fé em Deus levanta do pó ao indigente, como diz o livro dos salmos. (cfr. Sl 113,7) O Santo Padre refletindo na palavra em hebraico que indica a virtude da justiça, sedaqah, nos diz que a virtude “significa, de um lado, a aceitação plena da vontade do Deus de Israel; do outro, a igualdade em relação ao próximo.” (cfr. Ex 29,12-17) Esses dois significados estão ligados. Deus teve misericórdia de nossas culpas e nos tirou da miséria, e o dar ao pobre é retribuir essa piedade que Deus teve para com cada um de nós.

“Deus está atento ao grito do pobre e em resposta pede para ser ouvido: pede justiça para o pobre.” (cfr. Ecli 4,4-5.8-9) Mas, para isso é necessário que tenhamos uma mente clara de que também nós necessitamos de Deus para ser socorridos quando temos dificuldades. Não somos auto-suficientes, necessitamos ser humildes e reconhecer nossas misérias. Com essa consciência seremos capazes de viver a justiça com Deus e com os outros com um maior amor.

Agora, o Papa nos faz esta interrogação: “existe, portanto para o homem esperança de justiça?”

Bento XVI nos diz: “O anúncio cristão responde positivamente à sede de justiça do homem.” O apóstolo Paulo afirma em sua Carta aos Romanos que todos os homens “pecaram e estão privados da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, por meio da redenção que se realiza em Jesus Cristo, que Deus apresentou como vítima de propiciação pelo Seu próprio sangue, mediante a fé” (Rom 3,21-25)

Qual é, portanto a justiça de Cristo? A isso o Papa responde que “é antes de qualquer coisa a justiça que vem da graça, onde não é o homem que repara, que cura a si mesmo e aos outros.” Existe, então,  justiça lá onde o justo morre pelo culpado e o culpado recebe em troca a “bênção” que toca ao justo? Vemos no Evangelho que Jesus morreu na Cruz para apagar as nossas culpas. Desta maneira, não somos nós que pagamos com os nossos pecados, é Cristo quem faz por cada um de nós. É aqui onde se manifesta a justiça divina, que Deus pagou por nós os nossos pecados e o fez através do seu Filho. Que temos de bom para ter tão grande resgate?

“Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilusão da auto-suficiência para descobrir e aceitar a própria indigência – indigência dos outros e de Deus, exigência do seu perdão e da sua amizade.” Este é o convite que o Papa nos faz nesta quaresma. Somos movidos como Cristãos a contribuir para a formação de sociedades justas. Todos devem receber o necessário para viver segundo a própria dignidade de homem. É aqui onde a justiça é vivificada pelo amor.

Cristo não morreu na Cruz em vão. Ele quis mostrar a todos os homens que se Ele, sendo Deus, é justo para com nós, também nós poderemos ser com cada um de nossos irmãos.

Vença o mal com o bem!


Responses

  1. Justiça. Esta palavra, muitas vezes nos faz cair no erro de fazê-la por nós mesmos, sem importar as consequências que esse ato pode trazer-nos. Talvez seja hora de olharmos, de nos voltar para nosso interior, já que estamos na quaresma, e recomeçar a rever as nossas atitudes diante dos acontecimentos. Lembremos o caso daquela menina que foi atirada pela janela do apartamento pelo pai e do alarido que o fato ocasionou. Uma mulher viajou seiscentos quilômetros para juntar-se à multidão e exigir que se fizesse justiça! Talvez na cidade em que mora, São José do Rio Preto, ou adjacências, não haja assassinatos.
    Temos o “formoso” costume de pôr mais atenção à midia e suas “verdades”, do que naquilo que está acontecendo ao nosso redor. Pior que isso, não prestamos, muitas vezes, atenção ao que acontece conosco, em nosso íntimo. Achamos que somos justos, mas quando vemos na rua ou em qualquer outro lugar alguém a quem conhecemos, e que não é bem visto pela nossa sociedade “tão cristã”, passamos ao largo sem nem mesmo dirigir-lhe um aceno ou um sorriso que seja, isso é justiça? Vamos ao banco e se o caixa, as vezes pela pressão que a fila impaciente lhe impõe, dá-nos dinheiro a mais, não devolvemos, porque somos espertos, isso é justiça? Nos indispomos com pessoas de nossa própria familia mas ao constatar que fomos injustos e devemos pedir perdão, não o fazemos, afinal – onde está nosso orgulho?, nos perguntamos”, pois ser orgulhoso hoje é coisa boa e assim, seguimos pela vida a cometer injustiças conosco, esquecendo-nos que somos templos do Deus Justo e Fiel, que quer habitar em nós, mas já não pode, porque para Ele já não há mais lugar, pois que nossas vidas já estão a ser dirigidas, por causa das nossas injustiças para as quais, aliás, sempre temos justificativas muito convincentes, por aquele que atende pelo nome de satanás. É, não cuidamos de nossas almas, não somos justos conosco e abrimos com isso enormes brechas para que habite em nós o mal. E aí é tarefa difícil transformar o coração endurecido, petrificado pelos atos impensados, em coração de carne.
    Não é necessário viajar muitos quilômetros para pedir justiça, basta adotar o lema de Josué:- “De hoje em diante eu e minha casa serviremos ao Senhor.”
    Comecemos em nossas casas, comecemos por nós, deitemos fora tudo o que atrapalha, o que suja, o que impede que vejamos na Face do Filho a Glória do Pai, pois quem conhece o Fillho conhece também o Pai, posto que os dois são um só, junto com o Espírito Santo, e essa Trindade Santa quer que nos unamos a Ela para sermos uma só igreja, justa, verdadeira casa do Pai, onde todos somos irmãos e onde o amor é um só.


Categorias

%d bloggers like this: