Publicado por: amaldanerlc | 4 de Fevereiro de 2010

A Sinceridade Não é Nenhuma Falácia

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Sinceridade vem da expressão latina “sine cera (sem cera). Surgiu em ambiente romano onde escultores baratos faziam imagens deixando gretas, as quais tapavam com cera. O comprador a colocava no jardim, mas com a chuva a cera escorria revelando as rachaduras. Foi por isso que os autênticos escultores começaram a colocar um letreiro embaixo das obras: “sincera”, ou seja, sem cera.

A mesma coisa acontece com o uso da palavra “máscara” (mais cara), que é uma segunda cara que cobre a verdadeira. Por isso, uma pessoa sincera é aquela de uma única face.

Convém compreender o correto significado da palavra sinceridade. O dicionário afirma que “é sincero quem expressa com verdade aquilo que pensa e sente”. Neste caso, talvez não fosse sincero o pai que, desejando ver um jogo de futebol, fizesse um passeio com a mulher; ou a esposa que, querendo ver a novela, prestasse atenção ao que o marido lhe está contando; ou o garotinho que, desejando brincar, se submetesse ao horário de estudo. Provavelmente nesta definição, só os animais e as criancinhas seriam totalmente sinceros: gritam, golpeiam, comem ou recusam algum alimento seguindo o impulso do momento.

Uma característica da nossa época é o espírito crítico. Os valores tradicionais parecem sofrer um naufrágio universal. No entanto, o único valor que sobrevive é o da sinceridade que tem por parente próximo a tolerância. É por isso que temas espinhosos, como a pornografia, são vistos com certa indulgência, porque, pelo menos são sinceros… Mas, será tal atitude sincera? Não seria melhor chamá-la hipocrisia?

A sinceridade vista como valor absoluto, equivale a deixar à deriva outros pilares básicos de uma pessoa madura e bem formada: domínio pessoal, disciplina interior e exterior, pudor, benevolência. O que permanece é o caos.

Conta o apologista Scott Hahn, professor na universidade de Steubenville, Ohio, nos EUA, que aos 8 anos roubou alguns CD’s. O seu pai soube, o chamou e Scott já se preparava para receber uma bela surra. Para a sua surpresa, o pai simplesmente lhe disse: “Existe uma coisa pior que desatar a cólera do pai, é romper seu coração”.

A fraqueza humana, às vezes, nos derruba. No caso de Scott, é evidente, assim como os estragos também o são: partiu o coração do pai. Se não declararmos a magnitude da culpa, não descobriremos a grandeza do perdão. Sejamos sinceros, declaremos ante Deus as nossas escorregadas e caídas. Deus já as conhece antes mesmo de que nos acusemos, e deseja reparar a nossa falta. No entanto, espera que nos aproximemos livremente, por nossa própria iniciativa. É a estranha pedagogia de Deus que, sendo Onipotente, respeita a nossa liberdade.


Responses

  1. O importante em nosso dia a dia é ter a certeza de que, por existirem pessoas capazes de relacionarem-se fielmente, nos tornamos pessoas mais felizes e confiantes no ser humano e, a partir da nossa iniciativa “coerente”, construir ou dar continuidade na construção de um mundo de paz, respeito e amor recíprocos.


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