Publicado por: gabrielresgala | 23 de Janeiro de 2010

Dra. Zilda Arns e o aborto

O Brasil e o mundo perderam, recentemente, aquela que já está sendo chamada de “Madre Teresa brasileira” pelos seus feitos em defesa da vida: a Dra. Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa. Um exemplo inigualável para nós, católicos brasileiros, de conciliação entre fé e obras!

É realmente bonito ver toda a nação comovida a lhe prestar homenagens, para além de crenças pessoais. Mas o que poucos se lembram nestes momentos de morte de personalidades, em geral, são os conflitos que elas geraram em vida. Sim, pois vejo certos políticos, feministas, sanitaristas, etc, elogiando rasgadamente seus feitos, parecendo esquecer que um dia trataram algumas de suas idéias com verdadeiro desdém, principalmente sobre a questão da defesa da vida não-nascida…

Para refrescarmos memórias, e guardamos mais alguns ensinamentos desta grande mulher, ficam alguns trechos de uma entrevista proferida por ela à revista eletrônica do Instituto Humanitas Unisinos, em 2007, em que explicava porque era radicalmente contra o aborto – e, mais do que isso, apontava soluções para este problema (veja a íntegra aqui). Que, um dia, todos tenhamos tal ousadia para lutar por soluções realmente dignas ao nosso povo!

IHU On-Line – Em que a senhora fundamenta sua posição radicalmente contrária ao aborto?

Zilda Arns – Sou absolutamente contra o aborto. Em primeiro lugar, sou a favor da vida, e fundamento meu ponto de vista não somente na fé cristã, mas também na ciência e em aspectos éticos e jurídicos. (…) Sou médica pediatra e sanitarista, com mais de 47 anos de experiência em saúde pública. Além disso, estou nos últimos 24 anos à frente da Pastoral da Criança (instituição que acompanha 1,9 milhão de crianças com menos de seis anos, em 42 mil comunidades pobres do país). Por isso, tenho a convicção de que medidas educativas e preventivas são as únicas soluções para o problema das gestações não desejadas. (…) É preciso investir na educação de qualidade, nas famílias e nas escolas.

IHU On-Line – Como podemos formular a questão do estatuto do embrião, considerando sua implicação na questão do aborto?

Zilda Arns – O embrião é um SER HUMANO completo em fase de crescimento tanto quanto um bebê, uma criança ou um adolescente. Com a evolução das ciências da reprodução humana, mais especialmente nas últimas duas décadas, não há a menor dúvida de que a vida do SER HUMANO se inicia no momento da concepção. Não se trata de um amontoado de células. (…) Para quem se interessar, pode confirmar essas informações assistindo ao vídeo Grito Silencioso, que mostra as reações do feto em um processo de aborto induzido, realizado em um país onde a prática é permitida.

IHU On-Line – O aborto é um problema que precisa de uma solução, ou ele pode ser uma solução?

A prática de abortos seria um retrocesso da saúde pública, que, ao invés de investir na qualidade de vida da população, passaria a reproduzir uma cultura de incentivo à morte, à violência.

IHU On-Line – Uma lei a favor pode ser a única resposta ao problema do aborto?

Zilda Arns – Sob o ponto de vista de políticas de saúde, seria muito mais humano e econômico à nação investir em qualidade de vida e melhor assistência à saúde do que investir contra o ser humano indefeso. Não se pode eliminar a pobreza por meio da eliminação dos pobres, assim como não se pode eliminar a violência de uma gravidez indesejada mediante outra forma de violência, como é o aborto. Tenho certeza de que nossos deputados e senadores não se deixarão seduzir pela cultura da morte e da corrupção e lutarão pelo respeito à vida e por melhor qualidade de vida para todos.

IHU On-Line – Como lidar com a mentalidade abortista, tão presente na sociedade, que banaliza a questão do aborto?

Zilda Arns – Feministas famosas, realmente comprometidas com o bem-estar das mulheres, com o evento das novas tecnologias e conhecedoras profundas do sofrimento humano, deixaram a bandeira do aborto e optaram pela bandeira da erradicação da pobreza, da miséria, da ignorância que oprime as mulheres, principalmente nos países em desenvolvimento. (…) A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) confirma não existir nenhuma pesquisa sobre esse assunto no Brasil, apesar de muitas vezes serem divulgados falsos dados remetendo ao nome da organização.

IHU On-Line – Podemos conciliar a autonomia e a liberdade da mulher com a vida e a defesa do embrião?

Zilda Arns – Trata-se de um princípio de convivência de dois seres humanos. O “outro” é o limite de nossa liberdade. Se a mulher tem direitos e deveres, eles não podem interferir ou impedir o direito à vida de outro ser humano…


Responses

  1. Impedir um ser humano de nascer, mesmo que seja no primeiro mês de gravidez ou mesmo enquanto ainda é um embrião, é assassinato! E como tal, deve ser punido com as penas cabíveis. Porém, o drama da mulher que aborta, e evidentemente do pai da criança, não termina quando ela é impedida de nascer, e os pais condenados à prisão ou outra pena qualquer.
    Na minha comunidade, fazemos, e somos várias pessoas, atendimento espiritual, e não raras vezes nos deparamos com mulheres que abortaram e carregam dentro de si uma tremenda culpa. Raríssimas vezes essas mulheres vêm acompanhadas de seus maridos, namorados ou companheiros, como se eles não tivessem nenhuma responsabilidade diante do ato criminoso que ajudaram a cometer. Toda a responsabilidade pesa sobre a mulher, que muitas vezes casa-se e tem um casamento extremamente infeliz. Durante o tempo em que são acompanhadas, recebendo orações para cura interior, percebemos o quanto um aborto pode ser cruel na vida de uma mulher. Não se tem paz, não se consegue sorrir o sorriso dos inocentes, porque não se é inocente, e, quando termina o período de acompanhamento muitas são libertas pelo poder da Cruz de Jesus, pelo Seu Santo Espírito. Mas é difícil se chegar à cura completa desse imenso trauma. Como é dolorido a elas e também a nós que as acompanhamos. E quando chega a libertação, como é lindo ver em seus semblantes a alegria de viver ressuscitada, a harmonia de volta às suas vidas. E então empreendemos mais uma caminhada rumo à cura de outra mulher.
    Nestes anos todos, vieram até nós, por mais inacreditável que possa parecer, cinco homens, assumindo junto com suas mulheres a responsabilidade pela interrupção de uma vida e desejando ardentemente a cura e o perdão do Senhor da vida, Jesus Cristo. Doutora Zilda Arns não morreu em vão, creio que no céu, olhando para todas as pessoas que ajudou a livrar da morte, ela se ajoelhe diante do Senhor do senhores e Lhe rogue, incessantemente, que sua obra continue, através do trabalho e testemunho das multidões que a conheceram e amaram.


Categorias

%d bloggers like this: