Publicado por: augustocc | 14 de Janeiro de 2010

As indulgências

“As indulgências se constituem em um dom, um benefício, uma graça que está à disposição dos fiéis.”

Para alguns, não é um tema que deva ser tratado, já que traz lembranças nada agradáveis, desde que, na Idade Média, fez-se um verdadeiro comércio em torno delas, um triste e desagradável comércio. Para a Igreja, no entanto, as indulgências se constituem em um dom, em um benefício, em uma graça que está à disposição dos fiéis.

O Catecismo da Igreja Católica trata dessa questão, no capítulo dedicado ao sacramento da Penitência, mesmo porque a doutrina e a prática das indulgências estão estreitamente ligadas aos efeitos desse sacramento (cf. nn. 1471-1479 e 1498). Já o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica dedica um número para apresentá-las: “As indulgências são a remissão diante de Deus da pena temporal merecida pelos pecados, já perdoados quanto à culpa, que o fiel, em determinadas condições, adquire para si mesmo ou para os defuntos, mediante o ministério da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui o tesouro dos méritos de Cristo e dos Santos” (n. 312).

Quando se trata das indulgências é preciso que fiquem claras quatro coisas:

1º) As indulgências não consistem no perdão dos pecados. Esse perdão é dado por Deus por meio da absolvição, no sacramento da Reconciliação;

2º) Recebido o perdão dos pecados, permanece ainda a pena, como consequência da culpa. Para melhor entender o que isso significa, tome-se o exemplo banal, mas expressivo, do prego na parede. Tirado o prego, permanece o buraco que deve ser fechado para que a parede fique perfeita novamente. Quando nos confessamos, se tivermos por Deus um amor sem reservas e estivermos dispostos a uma conversão radical, juntamente com o perdão dos pecados recebemos o perdão da pena, Caso contrário, permanecem em nós as escórias do nosso egoísmo, da nossa preguiça espiritual; são as zonas de sombra e de imperfeição no nosso amor a Deus; é o nosso amor imperfeito, não radical. Fica, então, a necessidade de uma reparação por nossos pecados. A indulgência nos dá o perdão dessa pena, dessa reparação que teríamos que fazer;

3º) Para se obter uma indulgência são necessárias algumas condições habituais: a confissão sacramental, a comunhão eucarística e uma oração nas intenções do Papa;

4º) A indulgência não é uma remissão passiva ou automática de nossas penas. Exige, como condição indispensável para se obtê-la, uma autêntica conversão do coração e da vida, a disposição de amar a Deus de todo o coração e o generoso propósito de fazer o bem ao próximo e de evitar todo e qualquer pecado.

Como se vê, as indulgências estão longe de ser um incentivo à mediocridade espiritual; são, antes, um estímulo para buscarmos a santidade.


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