Publicado por: Éverth Oliveira | 8 de Janeiro de 2010

O Batismo ministrado às crianças

“Se alguém negar que se devam batizar as crianças recém-nascidas, ainda mesmo quando nascidas de pais batizados; ou disse que devem ser batizadas, sim, para a remissão dos pecados, mas que nada trazem do pecado original de Adão que seja necessário expiar-se no lavacro da regeneração para conseguir a vida eterna, donde resulta que neles a forma do batismo não deve ser entendida como em remissão dos pecados – seja excomungado, porque não é de outro modo que se deve entender o que o Apóstolo: ‘Por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte e assim a morte passou a todos os homens naquele em que todos pecaram’ (Rm 5, 12), senão do modo que a Igreja Católica, espalhada por todo o mundo, sempre o entendeu; porquanto, em razão desta regra de fé, segundo a tradição dos Apóstolos, ainda as criancinhas que não puderam cometer nenhum pecado, também são verdadeiramente batizadas para a remissão dos pecados, a fim de ser nelas purificado pela regeneração o que contraíram pela geração, ‘pois, se alguém não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus’ (Jo 3, 5).”

(Concílio Ecumênico de Trento, Sessão V, Decreto sobre o pecado original, 791; 17 de junho de 1546)

A realidade do batismo das crianças sempre foi exposta pela sã doutrina da Igreja. No texto acima, contido no Sagrado Concílio de Trento, existe a reafirmação dessa exortação constante da Santa Sé. O começo da história dessa prática data ainda da patrística, com a pregação de Orígenes e Santo Agostinho. São Cipriano, por exemplo, dizia que “não se pode negar a misericórdia e a graça de Deus a nenhum homem que vem à existência”. Enfim, de muitas maneiras a Tradição da Igreja aprova esta prática sublime. Mas a pergunta que é feita por muitos cristãos não-católicos – em especial os protestantes – é: por que batizar crianças, se elas ainda não têm uma fé própria, escolhida por elas?

“O fato de as crianças não poderem ainda professar pessoalmente à sua fé – diz a Igreja – não impede a Igreja de lhes administrar este Sacramento, porque na realidade ela os batiza na sua própria fé” (Pastoralis Actio, 14). A esse questionamento Santo Agostinho respondia: “É a Mãe Igreja toda, que está presente nos seus santos, a agir, pois que é ela inteira que os gera a todos e a cada um”. Da mesma maneira, a fé que a criança não pode expressar por si mesma é expressa pelos pais que, desejosos de que seu filho possa ser introduzido na vida eclesial, permitem que a Igreja o batize, fazendo com que ele saia da vida do pecado para a vida da graça.

São Paulo, em carta aos colossenses, faz uma analogia importante entre o batismo e a morte para o pecado: “Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova” (Rm 6, 4). O batismo é oportunidade de regeneração para o recém-nascido. Se é bem verdade que uma criança ainda não pode pecar por vontade própria, é verdade também que por Adão somos todos herdeiros do pecado original. Todos nascemos com esse pecado e estamos privados da glória de Deus.

Da escravidão desse pecado o homem deve ser liberto o mais depressa possível para que, santificando-se, possa ser digno da vida eterna. É tão importante a necessidade do batismo para a vida da pessoa que as crianças que morrem sem esse sacramento, necessário à salvação, não gozam da vida eterna, mas vão para um lugar chamado limbo, onde não tem a graça da visão divina.

O batismo das crianças se põe, nesse sentido, como um sinal eminente da misericórdia que a Igreja manifesta para com seus amados filhos. Sem batismo não pode haver salvação; então quanto antes os pais apresentam seus filhos para que sejam purificados do pecado original com a água do batismo, melhor. No século passado, a Igreja reafirmou a prática do batismo das crianças: “O Batismo deve ser administrado também às crianças que não tenham podido cometer por si mesmas pecado algum; de modo que, tendo nascido com a privação da graça sobrenatural, renasçam da água e do Espírito Santo para a vida divina em Jesus Cristo” (Credo do povo de Deus, 18).

Compreender a razão pela qual o batismo também é ministrado às crianças é importante. Precisamos sempre entender racionalmente a nossa fé. E por aquelas crianças que morreram sem batismo, possamos rezar por todas elas, para que um dia possam encontrar a face misericordiosa de Deus.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!


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