Publicado por: gabrielresgala | 6 de Janeiro de 2010

Aborto: questão religiosa?

Não é raro ouvirmos dizer que o aborto deveria ser legalizado sob o argumento de que a oposição a ele tratar-se-ia de uma questão puramente religiosa, dogmática. Ora, em meu último post aqui no Catequisando, citei uma passagem em que o próprio papa lembra que a discussão sobre o início da vida é uma questão que não se pode dogmatizar, uma vez que provém de estudos científicos. Mas , então, porque será tão difícil encontrar um ateu contrário ao aborto?

Bem, eu começaria questionando a própria pergunta. Conheço pessoas sem religião, inclusive ateus, que abominam veementemente o aborto; apenas, digamos, não se engajam tanto na causa quanto nós. Uma pesquisa do Instituto Datafolha divulgada em 2007 mostra que a esmagadora maioria (82%) das pessoas sem-religião do país são contrárias à legalização do aborto (clique aqui para ver, em detalhes, a tabela). Gosto de lembrar que uma das figuras consideradas de maior importância na luta contra o aborto em todo o mundo, o Dr Bernard Nathanson (produtor do famoso documentário “O Grito Silencioso”), começou sua militância quando ainda não seguia religião alguma.

Há inclusive um texto de um famoso blogueiro ateu, o Alex Castro (daqueles que não dispensam uma “criticazinha” à religião, algumas um tanto gratuitas, aliás), que viu-se obrigado a concordar em alguns pontos com os grupos religiosos “conservadores” que tanto abomina, ao refletir sobre o início da vida humana individual. Eis alguns trechos (os grifos são meus):

“Nasci às 9:45hs do dia 16 de fevereiro de 1974. Mas sério, o que foi que houve assim de tão fantástico nesse momento? O que foi que mudou? (…) Se alguém me matasse hoje, ou se alguém tivesse me matado em agosto de 1973, quando eu tinha três meses de concebido, também daria, na prática, rigorosamente no mesmo. (…) A diferença é que o primeiro assassinato me permitiu, pelo menos, 30 anos e duas semanas de vida. O segundo, nem isso.”

“Ninguém defende mais a liberdade do que eu. Mas acho que a ninguém deve ter a liberdade de matar ou impedir outra pessoa de existir. Se ainda existe um debate científico válido sobre o que é vida e quando ela de fato começa, então acho que devíamos errar em favor da vida, não em favor da escolha. Pelo menos, por enquanto.”

Sim, talvez para nós, cristãos, o engajamento nesta luta seja, por assim dizer, mais característico de nossa “identidade” – o que daria, inclusive, um bom assunto para refletirmos mais adiante, analisando inclusive a conversão de Bernard Nathanson ao catolicismo na década de 90, após anos de uma militância pró-vida “a-religiosa”. Mas, a meu ver, é um princípio tão básico, tão inerente à humanidade em si, que deveria ser considerado óbvio por qualquer Estado laico. Afinal, se há esperança e respeito à vida mesmo por quem não crê, a defesa da vida inocente deveria ser o direito primordial.

Mas então o que faria ainda alguns abortistas bradarem aos quatro cantos sua fúria anti-religião, elegendo-a como o maior obstáculo à tal “liberdade das mulheres”? Talvez isso possa ser explicado por um depoimento do próprio Dr. Nathanson, em que ele explicita as estratégias para difusão do aborto no mundo – entre as quais a eleição da Hierarquia Católica como vítima. Não passa de uma ideologia “religiosamente”  entranhada nestas cabeças… A quem ainda acredita nesse discurso, cabe uma boa observação do Alex Castro:

“Quase todos os meus amigos liberais, seculares, cosmopolitas, politicamente corretos e prafrentex, são a favor do aborto por princípio e por agremiação. Dizem que é só um procedimento médico e pronto. Como se impedir uma pessoa de existir fosse equivalente a arrancar um dente para impedi-lo de apodrecer. Simplesmente se negam a considerar qualquer aspecto filosófico da coisa. Eu os respeitaria mais se tivessem a coragem de encarar esse aspecto e rejeitá-lo. Mas não. Acho que têm medo das implicações de andar por esse caminho…


Responses

  1. Acredito que pessoas que são a favor do aborto,
    não foram educadas em JESUS,se fossem
    saberiam o verdadeiro valor da vida.
    o ato DOAR é maravilhoso,
    já o TIRAR é orríííível.


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