Publicado por: elaineoliveira | 1 de Janeiro de 2010

Família: um relacionar-se sagrado

No último dia 27, na festa da Sagrada Família, o Papa Bento XVI afirmou ao mundo que a família é ícone da Santíssima Trindade. Segundo o Santo Padre, foi em uma família que Deus quis revelar-se como amor, comunhão e unidade. E é na família que essa revelação é humanizada. Sim, Deus se humaniza na família.

A Santíssima Trindade é uma comunidade de amor e cumplicidade, de onde jorram amor e perdão sem cessar. O Pai ama o Filho, que por amor se doa conforme a vontade do Pai e nessa relação de amor é gerado o Espírito Santo.  Relacionar-se é algo que vai além do encontro. É uma dinâmica onde amor, cumplicidade e respeito são constantemente experimentados. O que isso tem a ver com a nossa família? Tudo! É na família que aprendemos a nos relacionar, que temos nossa primeira experiência de amor, de perdão, de respeito e de vivência cristã. E foi isso que Bento XVI quis dizer: somos família como Deus é! E sendo a família ícone da Santíssima Trindade, precisa relacionar-se com amor e cumplicidade como esta se relaciona.

A família é, essencialmente, o lugar onde aprendemos a ser ‘gente’, com todas as implicações que essa afirmação nos impõe. Por isso, nem sempre essa relação gera apenas momentos agradáveis, pois ser ‘gente’ requer esforço, muitas vezes esforços contrários. É comum os conflitos, as divergências e as ausências. É nesse momento que devemos olhar para aquilo que somos e que desejamos ser como família, como igreja doméstica e aprendermos a trabalhar essas dificuldades para vivermos uma relação familiar saudável e feliz.

É bem verdade que há muitas famílias que neste momento não vivenciam a unidade, a comunhão e o amor, uma vez que passam por situações dolorosas como vícios, problemas financeiros, doenças e até perdas… e o sentimento de vazio é grande. No entanto, mais verdade do que o vazio que temporariamente habita nessas famílias é a plenitude que existe naqueles que têm no Senhor a sua força, alegria e verdade. E o Senhor é Mestre e como tal nos instrui naquilo que ainda não estamos prontos. Ele nos ama, nos perdoa, nos acolhe e nos ensina a fazer o mesmo com aqueles que nos deu como família. É nela que o Senhor nos quer moldar. É em meio às dificuldades próprias de ser família que somos colocados como protagonistas de um relacionamento sagrado e desejado pelo próprio Deus.

Relacionamentos sagrados são aqueles cujos limites são estabelecidos pelo amor. Não tenhamos medo de nos relacionar com aqueles que fazem parte de nós como família, mas que precisam ser os primeiros experimentar o afeto não só por causa do vínculo sanguíneo, mas especialmente, por causa da força do evangelho, já que Jesus nos convida constantemente a permanecer no seu amor e a dar a vida por aqueles que amamos. E um bom propósito para o ano que surge diante de nós é a experiência do afeto e do relacionamento saudável em nossa casa.

Que a exemplo da Sagrada Família vivamos o amor, a alegria e a fé.


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