Publicado por: Éverth Oliveira | 25 de Dezembro de 2009

Uma mediação graciosa

“Enriquecida, desde o primeiro instante da sua conceição, com os esplendores duma santidade singular, a Virgem de Nazaré é saudada pelo Anjo, da parte de Deus, como ‘cheia de graça’ (cf. Lc 1, 28); e responde ao mensageiro celeste: ‘eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1, 38). Deste modo, Maria, filha de Adão, dando o seu consentimento à palavra divina, tornou-se Mãe de Jesus e, não retida por qualquer pecado, abraçou de todo o coração o desígnio salvador de Deus, consagrou-se totalmente, como escrava do Senhor, à pessoa e à obra de seu Filho, subordinada a Ele e juntamente com Ele, servindo pela graça de Deus onipotente o mistério da Redenção. Por isso, consideram com razão os santos Padres que Maria não foi utilizada por Deus como instrumento meramente passivo, mas que cooperou livremente, pela sua fé e obediência, na salvação dos homens. Como diz S. Ireneu, ‘obedecendo, ela tornou-se causa de salvação, para si e para todo o gênero humano’. Eis porque não poucos Padres afirmam com ele, nas suas pregações, que ‘o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; e aquilo que a virgem Eva atou, com a sua incredulidade, desatou-o a virgem Maria com a sua fé’; e, por comparação com Eva, chamam Maria a ‘mãe dos vivos’ e afirmam muitas vezes: ‘a morte veio por Eva, a vida veio por Maria’.”

(Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen Gentium, n. 56)

Hoje é uma data muito importante no calendário cristão. É a festa do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, mais conhecida como Natal, tempo em que as pessoas se reúnem para celebrar o mistério da encarnação do Verbo Divino, do Filho de Deus. Somos convidados a olhar, no contexto natalino, para a figura de Jesus, Salvador da humanidade, mas também, e de um modo especial, para sua Mãe, Maria Santíssima. As razões estão devidamente expostas nas palavras do Sacrossanto Concílio do Vaticano II. Antes da vinda de Jesus, estava presente o sim de Maria, o sim de uma mulher que não mediu esforços para realizar e cumprir a vontade do Altíssimo. Sim, Maria se fez escrava por amor ao Reino de Deus, quando disse: “Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38)!

Não, não se trata de desprezar Jesus Cristo, como erroneamente poderiam afirmar alguns protestantes. A grande questão é a seguinte: será que a presença de Maria na história da salvação e redenção da humanidade realmente dificulta a adoração a Cristo que nos é dado neste Natal? A resposta é claramente óbvia. Quem tem pelo menos alguma noção de conhecimento das Sagradas Escrituras sabe bem que Nossa Senhora nunca foi um empecilho para a honra de Nosso Senhor! Muito pelo contrário! Ela, através da prática das virtudes e do cumprimento dos ensinamentos de Cristo, foi fiel à Palavra de Deus até o fim, sendo aquela que – conforme expusemos em nosso último artigo, sobre a Imaculada Conceição – desfez a maldição de Eva em benção para toda a humanidade. Essa sua santa conduta conduz indubitavelmente à figura de Nosso Senhor.

Nesse sentido, a devoção católica a Nossa Senhora não é um obstáculo para a realização de uma adoração sublime ao Filho Jesus, mas sim uma motivação ainda maior a amarmos e honrarmos o Senhor. E foi, de um modo especial, no nascimento do Nosso Senhor que começou a se mostrar docilmente para toda a humanidade a mediação da Virgem Santíssima. Assim como Eva fez com que Adão pecasse e a raça humana fosse maldita, assim também Maria fez com que Cristo ao mundo viesse, tornando-nos novamente benditos pela graça de Nosso Senhor.

A mediação de Maria é também muito clara na passagem das Bodas de Caná, quando, na falta de vinho, nossa Mãe intercede a Jesus em favor dos homens. Ela é Mãe medianeira, que se põe entre os homens e Jesus Cristo. Ora, mas não “há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo” (1 Tm 2, 5)? Sim. São Paulo, quando fala dessa única mediação, está falando que não é possível que haja, com Cristo, mediações concorrentes à Sua. Ou seja, não podemos aceitar, dentro desse contexto, Maomé ou Iemanjá, como mediadores, pois os princípios que giram em torno dessas crenças são totalmente contraditórios às exposições cristãs. Assim sendo, não só são permitidas, mas também recomendadas aquelas mediações que ajudam cada vez mais a nos guiarmos por Nosso Senhor. O mesmo São Paulo recomenda que “se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens” (1 Tm 2, 1). Ora, não são as orações formas claras de mediação?

Na história da redenção dos homens Maria foi fundamental. E continua sendo… Ela intervém constantemente em favor da humanidade, graças à nossa pia e gloriosa devoção àquela que tanto bem fez durante sua vida terrestre. Se enquanto estava viva já exercia seu papel de mediação – seja através dos milagres de Cristo, seja por meio da prática fiel dos preceitos evangélicos – imagine agora, que está diante de Deus, cantando e dando glórias a Nosso Senhor!

Sim, nós verdadeiramente cremos em tudo isso. Cremos que a Virgem Santíssima é mãe não só de Cristo, mas de todos nós. Nesse sentido, somos irmãos de Nosso Senhor. De fato, esse menino que nos é dado nesse Natal, essa criança, que guarda dentro do seu coração uma luz esplendorosa, não é uma criança qualquer. É nosso Salvador! Eis que Ele vem. Aclamemo-no com nossas atitudes, em nossa vida. Preguemos a Palavra de Deus e anunciemos a Sua vinda. Anunciemos também o papel de Maria nessa obra magnífica. E roguemos a ela, no contexto dessa festa tão bela que é o Natal, que peça a Deus para que nos inunde com a sua infinita misericórdia.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!


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