Publicado por: elaineoliveira | 22 de Dezembro de 2009

Relacionamentos: Eu escolho vivê-los!


Diante da realidade que nos cerca somos, muitas vezes, levados a vivermos relações frágeis, superficiais e temporárias, que atendem apenas a uma necessidade momentânea, especialmente nas nossas amizades. Não raramente é possível nos depararmos com situações nas quais nossos relacionamentos são provados na dor e no sofrimento. Talvez seja esse processo de purificação – pelo qual precisamos muitas vezes passar – o motivo maior da dificuldade em estabelecermos relacionamentos verdadeiros, construídos a partir do amor, da confiança, da lealdade, do respeito, da cumplicidade, da fé…

Curiosamente, segundo o dicionário, relacionamento é ‘a capacidade de conviver bem’. Ou seja, é coexistir, construir algo com o outro, e isso requer esforço, luta e muitas vezes, sofrimento. No entanto, nem todas as relações geram esse vínculo afetivo, que muitas vezes ultrapassa os limites da nossa compreensão, mas que sabemos ser dom de Deus. Só vive a dor e a alegria dessa convivência quem escolhe experimentá-la.

Há pouco tempo, em um momento de reflexão, eu tentava entender porque alguns dos nossos relacionamentos são permeados por conflitos, dores e ao mesmo tempo, imensa alegria. Em algumas partilhas me dei conta que esse é o processo natural ao qual nos sujeitamos quando amamos e estamos construindo nosso caminho com o outro. Podemos optar por não sofrer, é mais fácil, mas não teremos a felicidade de partilhar nossas vidas com a cumplicidade própria dos que amam aqueles que Deus lhes deu de presente. Por outro lado, não podemos permanecer apenas com as alegrias e isso exige de nós uma decisão: viver ou não essa experiência de dor e felicidade?

Relacionar-se exige disposição para conhecer e amar o outro, bem como deixar-se conhecer e amar por ele. É essa a vivência essencial do cristianismo. É isso o que, livremente, podemos escolher. Eis a dinâmica do relacionamento: conhecer para amar, amar à medida que se conhece e amar por amar, porque o amor é dom. E amar basta.

Um bom exemplo de dor e alegria nos relacionamentos é a própria experiência de Jesus e seus discípulos. Eles sabiam que o sofrimento seria vivenciado não apenas pelo Cristo, mas também pelos que escolheram estar com Ele. Já não podiam abandoná-Lo, uma vez que tinham experimentado um profundo e verdadeiro amor e haviam estabelecido com o Senhor uma relação de amizade e intimidade como nos relata o discípulo amado: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai” (Jo. 15,15) – e que, apesar da cruz, não teria seu fim nela, mas teria continuidade na ressurreição.

Desse modo, ao refletirmos sobre as dores presentes nas nossas relações devemos nos deter nos seus frutos – muitas vezes incompreensíveis aos olhos humanos – gerados a partir do nosso ‘sim’ a cada uma das experiências vividas. Perceberemos, assim, que a beleza dos relacionamentos está em simplesmente escolher vivê-los, em conviver e em coexistir.

Que a Mãe do Menino nos ensine a amar.


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