Publicado por: Éverth Oliveira | 15 de Dezembro de 2009

Imaculada Conceição de Maria

“Deus Pai só deu ao mundo seu Unigênito por Maria. Suspiraram os patriarcas, e pedidos insistentes fizeram os profetas e os santos da lei antiga, durante quatro milênios, mas só Maria o mereceu, e alcançou graça diante de Deus, pela força de suas orações e pela sublimidade de suas virtudes. Porque o mundo era indigno, diz Santo Agostinho, de receber o Filho de Deus diretamente das mãos do Pai, ele o deu a Maria a fim de que o mundo o recebesse por meio dela.”

(São Luís de Montfort, Tratado de Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 16)

Antes de Maria, o Verbo já existia, mas Ele só veio ao mundo porque se encarnou no seio da Virgem Maria. Só podemos dizer com São João que “o Verbo se fez carne” (Jo 1, 14) graças à sublime submissão que uma simples e humilde jovem de Nazaré prometeu a Deus, dizendo que era, de fato, a serva do Senhor e que tudo se fizesse segundo a vontade d’Ele (cf. Lc 1, 38).

Deus já havia prometido à humanidade – temos o testemunho dos profetas – que lha mandaria seu Filho Único para salvá-la. Por meio de Maria, ao povo deu-lhe conhecer a Sua infinita e misericordiosa Bondade, cumprindo sua promessa. Jesus Cristo, Filho de Deus, veio ao mundo, mas não veio somente como Deus. Ele se tornou carne, se tornou homem; se encarnou no corpo de uma mulher que se conservava pura e imaculada para recebê-Lo. Essa mulher, Tabernáculo do Altíssimo, era Maria. De fato, como é possível que Jesus Cristo, perfeito, se encarnasse no corpo de uma mulher imperfeita? Não poderíamos de modo algum imaginar que o Salvador, Jesus Cristo, o Santo de Deus, viesse ao mundo por meio de um corpo onde prevalecia a lei do pecado, que regia todos os homens antes da Sua vinda. Seria irracional admitir que o Tabernáculo onde Ele permanecera durante nove meses fosse dominado pela impureza e pela imperfeição.

Comprovações bíblicas? Há muitas. Partamos à primeira: no livro do Gênesis, após a dramática narração do primeiro pecado do gênero humano, Deus diz à serpente, que induziu Eva a pecar: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3, 15). Pio IX, ao declarar o dogma da Imaculada Conceição através da bula Ineffabilis Deus, escreveu que “com esta divina profecia, foi clara e abertamente indicado o misericordiosíssimo Redentor do gênero humano, isto é, o Filho Unigênito de Deus, Jesus Cristo; foi designada sua beatíssima Mãe, a Virgem Maria; e, ao mesmo tempo, foi nitidamente expressa a inimizade de um e de outra contra o demônio” (n. 22).

Ora, como isso se deu? Bem sabemos que o primeiro pecado foi o responsável por aprisionar todo o gênero humano à escravidão da impureza e do mal. Mas viria Aquele que libertaria o povo da opressão do pecado. Esse homem, como foi designado pelos profetas, é o Cristo, “Deus Conosco”. Ora, a Palavra de Deus fala claramente da vitória de Cristo sobre Satanás e sobre o pecado; e também de uma consequente vida nova para os redimidos: “Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão” (1 Cor 15, 22). Ora, sem Maria a humanidade não poderia conhecer essa vida nova em Cristo, não poderia conhecer essa vitória. Assim como Eva foi ponte de pecado para Adão, Maria foi ponte de graça para conduzir a Jesus. Assim como Eva cedeu ao pecado, assim Maria o venceu, esmagando (ou como se lê na Bíblia: “ferindo”) a cabeça da serpente.

Se Maria venceu o pecado, o pecado não tem domínio sobre ela. Assim sendo, é óbvio conceber a realidade de que Ela foi, pela graça de Deus, privada de todo pecado e também do pecado original. Foi o que celebramos na semana anterior: a festa da Imaculada Conceição de Maria. Os Santos Padres da Igreja também usavam uma passagem do Cântico dos Cânticos para falar da santidade indefectível de Maria: “És toda bela, ó minha amiga, e não há mancha em ti” (Ct 4, 7). Eva, “a mãe de todos os viventes”, pecou. O pecado, assim como uma “epidemia”, passou para todo o gênero humano. Mas, Deus, que ama o homem e não quer que ele se perca, ‘criou’ novamente o homem. Essa “nova Criação” se dá com Maria, mãe de todos os redimidos pelo Sangue de Cristo.

Existe todo um embasamento por trás desse amabilíssimo dogma, um embasamento que provém não somente da Sagrada Escritura, mas também da Tradição Apostólica e do Magistério dos pastores da Igreja, fontes de fé da Sé de Roma. E nós, como defensores da doutrina católica, temos a obrigação de defender essa Verdade revelada por Deus a todo o Seu povo. Sim, Maria, nós cremos e confessamos que tu és pura, santa e imaculada. Cremos e confessamos que és aquela que esmagou a cabeça da serpente e venceu o pecado ao dar-nos o Filho de Deus, nosso Redentor. Em comunhão com toda a Igreja queremos proclamar: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a vós!

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

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